Resumen | O essencial da prosa de Fernando Pessoa e seus principais heterónimos, numa edição de Jerónimo Pizarro.
Para ler esta antologia, é preciso aceitar primeiro aquela que pode ser uma estranha constatação para os admiradores do poeta: «A maior parte do espólio pessoano está em ‘prosa’», diz a introdução. Assim, depois do volume dedicado à poesia, esta Antologia Mínima vai além do Livro do Desassossego, rumo a «escritos sociopolíticos, filosóficos, esotéricos, epistolares, teóricos». Há alguns mais conhecidos, como a carta a João Gaspar Simões sobre a génese dos heterónimos, outros mais divertidos – aforismos, ficções breves, cartas a Ofélia… –, mas também há surpresas, até para os mais conhecedores, como a «Crónica Decorativa». Bons pretextos para embarcar mais uma vez nesta nova forma de «desaprender Pessoa», citando o mestre Alberto Caeiro, e lê-lo como se o descobríssemos pela primeira vez.
«Lembro-me de ter relido o texto de Fernando Pessoa: ‘Organizar’, e de ter sido incapaz de não sorrir: ‘Todo o pensador de sistemas fixos, todo o organizador de conjuntos definidos, sofre fatalmente desilusões, quando não desastres. Em toda a organização prática há pois que contar com o inesperado e indefinido da vida.’ […] Pessoa não só escreveu poesia e prosa (em português, inglês e francês), como discutiu sobre ‘as duas formas da palavra escrita’, considerando a primeira própria de uma maior inadaptação ao ambiente, como o afirma num texto inédito que começa: ‘A writer is either essentially a prose writer, or a poet, or a combination of the two.’»
Jerónimo Pizarro, Introdução |