Resumen | «entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem-dotado para o governo da vida?” não faz sentido? “se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, perdigueiro fosse, ou lobo-d’ alsácia? e no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado do seu canino deus? “estas considerações podiam ser tomadas como ofensivas, mas josé saramago trata de se defender: “não é culpa minha nem do meu discreto ateísmo se em münster, no século xvi, como em tantos outros tempos e lugares, católicos e protestantes andaram a trucidar-se uns aos outros em nome de deus – “in nomine dei” – para virem a alcançar, na eternidade, o mesmo paraíso.” “os acontecimentos descritos nesta peça representam, tão só, um trágico capítulo da longa e, pelos vistos, irremediável história da intolerância humana”, explica o autor. “que o leiam assim, e assim o entendam, crentes e não crentes, e farão, talvez, um favor a si próprios. os animais, claro está, não precisam.» (diário de notícias, 9 de outubro de 1998) caligrafia da capa por jorge vaz de carvalho |